Mês: novembro 2018

Postura invertida sobre a cabeça- Shirshásana

O shirshásana é conhecido como o rei dos ásanas (posturas)
Advertência do Mestre B.K.S. Iyengar: “a prática de ásanas deve ser regular, porém, se você não tiver tempo suficiente em seu dia para fazer uma série completa, faça pelo menos o shirshásana!”
A invertida mais importante é o Shirshásana (invertida sobre a cabeça). É a melhor ferramenta física que possuímos para reverter, no mundo físico, a descarga de energia que decai, causando envelhecimento do corpo e da mente. Essa forças nos fazem perder o poder mental e clareza, perda de boa postura, respiração insuficiente, má circulação sanguínea e linfática, má digestão.
Realizando as invertidas, o corpo se auto cura em todas as esferas. A força de gravidade que atua em nosso corpo e seus sistemas é revertida, ao virarmos literalmente de ponta cabeça. Nossa relação com a ação de gravidade e forças do planeta Terra muda completamente e nosso corpo é nutrido ao invés de enfraquecido.
As invertidas garantem um aporte ideal de sangue para a cabeça e estimula as glândulas pineal e pituitária em nosso cérebro, sendo estas glândulas responsáveis pelo crescimento, regulação de sono e regeneração através de seus hormônios.
A prática regular das posturas de inversão revitaliza as células cerebrais, ajudando no rejuvenescimento, maior clareza de pensamentos, memória e raciocínio havendo melhora geral no sistema nervoso e proporcionando equilíbrio mental, calma e atenção plena. Pessoas que sofrem com insônia, falta de memória e baixa vitalidade recorrem à essa prática de ásanas.
As invertidas descomprimem a coluna, fortalecendo pescoço, ombros e braços.O sistema muscular de abdômen e pernas são tonificados. Ao elevar as pernas, sangue e linfa são amplamente beneficiados. Pés e tornozelos recebem um “alívio” em suas funções, evitando inchaços e sensação de pernas cansadas.
Devido a inversão, todos os órgãos abdominais são “limpos” e beneficiados, evitando assim doenças, inclusive do fígado, rins, estômago e intestinos.
Como em todas as coisa da vida, a sugestão de ficar de “ cabeça para baixo” não deve ser universalmente recomendada…
As precauções devem ser tomadas, desde os casos de doenças ou lesões pré- existentes até a observação, sempre válida, de perceber o que é adequado ou não para si mesmo.
Devem evitar as invertidas pessoas com pressão alta, doenças cardíacas, quem sofreu AVC, descolamento de retina, glaucoma, epilepsia, e algumas outras condições. Tudo deve ser observado pelo praticante e pelo professor de Yoga.
Antes de pratica, é essencial consultar um médico.
As invertidas são as cafeínas naturais do nosso corpo, proporcionam grande disposição e alegria palpável no instante em que retornamos delas.
Por que as invertidas são posturas que demoram a ser executadas?
A razão pela qual os ásanas de inversão demandam paciência e perseverança, são a explicação para a necessidade de treinamento mais longo até a completude do ásana.
Elas nos afetam nos pontos emocionais. Demandam uma abertura de coração, encontrar a humildade diante de desafios extremos. É dito que ao permanecer em invertida, o Yogi precisa erradicar emoções auto- destrutivas, e sentimentos como raiva, orgulho, ódio e inveja.Trabalhando sobre o ego para seguir em direção a alegria e harmonia e sensações nunca antes imaginadas .

O mantra OM

Toda a literatura do Yoga se fundamenta na língua antiga surgida na Índia chamada Sânscrito. Quando vocalizamos essa língua é chamada sânscrito; quando a escrevemos, seu alfabeto é o devanagari.
Sendo assim, podemos vocalizar o mantra OM (AUM) ou grafá-lo ॐ
O que importa no Om não é sua forma, mas seu som que é carregado de significado; explicado pela Māṇḍūkya Upaniṣad, que usa a sílaba para indicar a realidade última, aquilo que é livre de todo o universo de nomes e formas, que é a paz, livre de qualquer coisa que não seja ele mesmo, não-dual.
A sílaba Om indica tudo: os três estados da consciência: sono profundo, sonho e desperto (que incluem o não-manifesto e o universo inteiro de coisas manifestas) e também aquilo que os sustenta e que deles é distinto.
Entender o Om através do intelecto é inútil, sugiro que aplique esse mantra em sua rotina de meditação e sinta por si só os efeitos!

Desapego, o exemplo das abelhas.

O maior exemplo de desapego vem das abelhas. Após construírem a colmeia, abandonam-na e não a deixam morta, em ruína, mas viva e repleta de alimentos. Todo o mel que fabricaram além do que necessitavam, é deixado sem preocupação com o destino que terá.

Batem asas para a próxima morada sem olhar para trás. Na vida das abelhas temos uma grande lição. Em geral, o homem constrói para si.Pensa no valor da propriedade, tem ambição em conseguir mais bens; sofre e briga quando na iminência de perder o que “lutou” para conseguir. “Onde estiver nosso coração, ali estarão nossos tesouros…” Assim não pode haver paz quando pensamentos e sentimentos prendem o ser ao que ele julga sua propriedade. Essa teia não o deixa alçar voo para novas moradas. E tal impedimento ocorre em vida ou mesmo após a morte, como um simples pensamento como, “para quem vai ficar a minha casa? ” é capaz de retê-lo em uma etapa que já podia estar superada.

Mas as abelhas fabricam o próprio alimento sem nada destruir e ainda doam a maior parte dele . A lição das abelhas vem do seu espírito de doação. Num ato incomum de desapego, abandonam tudo o que levaram a vida para construir. Simplesmente o soltam, sem preocupação se vai para um ou para outro. Deixam o melhor que têm, seja para quem for- o que é muito diferente de doar o que não tem valor ou de dirigir a doação para alguém de nossa preferência.

Se quisermos ser livres, se quisermos parar de sofrer pelo que temos e pelo que não temos, devemos abrigar em nós um único desejo: o de nos transformar.

O exercício é ter sempre em mente que nada nem ninguém nos pertence, e que devemos soltá-los.Assim, quando alguém ou algo tem de sair de nossa vida, não alimentamos a ilusão da perda, e sim visão mais ampla. O sofrimento vem quando nos fixamos a algo ou alguém. O apego embaça o que deveria estar claro: por trás de uma pretensa perda está o ensinamento de que há algo maior para nosso crescimento.E se não abrirmos mão do velho, como pode ter espaço para o novo?