O poder da respiração

 

A origem dos pensamentos

Em termos de conteúdo, a fonte de seus pensamentos é o acúmulo de suas percepções sensoriais.  Em termos de substância, um pensamento é apenas uma reverberação – você pode dar qualquer forma. Através da meditação, você acalma as reverberações em quietude.  A reverberação que você experimenta como pensada agora, em uma escala menor de evolução, seria instintiva.  O instinto não é exatamente o mesmo que se pensa – há muito mais clareza no instinto do que no pensamento.
 O instinto é uma forma inferior de pensamento, ou o pensamento é uma forma superior de instinto.
 Um pensamento pode ser formado de um jeito ou de outro – pode ser contraditório.  O instinto é bem definido.  Animais que são mais baixos na escala evolutiva parecem estar muito mais seguros sobre a sua vida do que os seres humanos, porque suas reverberações estão no nível do instinto.  O instinto é sempre sobre sobrevivência – principalmente sobrevivência física.
 O instinto tem alcance mínimo – é sempre sobre o seu entorno imediato.  Mas seus pensamentos não precisam ser sobre o seu entorno imediato – eles podem ser sobre qualquer coisa.  É por isso que você pensa em tantas bobagens que realmente não lhe dizem respeito.  Você pensa em todos os tipos de coisas – céu, inferno, um milhão de anos depois ou um milhão de anos atrás – os pensamentos podem ir a qualquer lugar.
 No processo evolucionário, à medida que o corpo evolui, as reverberações que ocorrem dentro também evoluem do instinto para o pensamento.  O pensamento é uma certa liberdade – dá-lhe maior acesso à vida.  Mas, ao mesmo tempo, os pensamentos criam uma turbulência total nos seres humanos.  Todo sofrimento é porque você não sabe qual caminho pensar e o que fazer.  Se você seguisse pelo seu instinto sozinho, saberia o que fazer.  A vida seria muito mais simples, mas também muito limitada.  Não haveria outras possibilidades além da sobrevivência.
Depois que o instinto evoluiu para o pensamento, e o processo de pensamento se tornou excessivo, as lutas surgiram, porque os pensamentos acontecem involuntariamente, de acordo com as impressões sensoriais que você reuniu.  O processo de pensamento tornou-se um problema para as pessoas apenas porque elas não estão cientes de que isso é apenas uma reverberação.  Essas reverberações podem tomar qualquer forma, ou você pode experimentá-las como reverberações sem lhes dar nenhuma forma.
De certo modo, o processo de meditação é apenas isso.  Não é que suas reverberações tenham parado, até agora – é apenas que você parou de anexar formas ou significados a elas.  Estar ciente o suficiente para não anexar formas ou significados a cada reverberação que acontece dentro de você é uma enorme liberdade, e isso libera você do conteúdo passado de sua mente.  Ou em palavras tradicionais – é desassociar sua estrutura kármica, porque você não está dando mais forma ou significado.
 Todo o processo do Yoga é sobre não dar forma à reverberação que você está agora.  Seu pensamento é uma reverberação e, de um modo mais profundo, o que você chama de “eu mesmo” também é uma reverberação.  A vida em si é uma certa reverberação.  A física moderna está provando que toda a existência é uma certa reverberação de energia.  O corpo físico, pensamentos, emoções e tudo o mais são aspectos diferentes da reverberação que a existência é.  Nos seres humanos, essa reverberação evoluiu de um estado instintivo para um estado de pensamento, que é uma liberdade porque dá a você um maior acesso à vida.  Ao mesmo tempo, sem a necessária conscientização, todo sofrimento pelo qual os seres humanos estão passando está apenas em seus pensamentos – está na maneira como eles pensam.

O grande equívoco de quem ainda não medita

A primeira vista, pode parecer que sentar-se para meditar, é uma involução de nossa capacidade cerebral. Isso por que, para o leigo, parece que estamos negligenciando nosso potencial de raciocínio e intelecto.

Frases comuns atualmente, como “faça uma coisa de cada vez”, servem apenas para conduzir os novatos na senda do yoga.

Afinal, por que alguém iria querer fazer apenas uma coisa quando nossa “fenomenal mente” é uma ferramenta multidimensional, capaz de lidar com diferentes níveis de atividades ao mesmo tempo?

Ao invés de conhecer e conduzir os processos mentais, por que alguém iria querer aniquilá-los?

Somente quando você realizar a experiência meditativa, perceberá que ela é a ferramenta para que você passe a realizar, ou continue realizando, múltiplas tarefas e atividades, porém com total maestria; com total clareza e foco de todas as possibilidades e detalhes do que está realizando. É como se multiplicassem os seus sentidos e as experiências terão novo significado; é ampliar suas capacidades e potencialidades dentro daquilo que você já realiza e muito, muito além!

Vamos meditar?

Entenda por que fala-se tanto sobre estar no momento presente.

Diariamente repito essa frase para os alunos durante as aulas de Yoga: “Esteja no momento presente”.

Obviamente dentro da nossa condição humana, vivendo neste plano, baseado em espaço/tempo só podemos estar mesmo no momento presente, não há outra possibilidade.

O que quero dizer durante as aulas é para cada um aprender a se sintonizar com o que está fazendo naquela exata experiência. É deixar do lado de fora da sala, os assuntos comuns e repetitivos que permeiam a nossa mente no dia- a –dia, para se beneficiar plenamente da prática do yoga.

O problema atual das pessoas é que sofrem pelo que ocorreu há dez anos e, igualmente sofrem pelo que TALVEZ venha a ocorrer amanhã. Ambas não são verdades reais. Elas são simplesmente jogos da mente entre memórias e imaginação.

Isso significa que para encontrar paz mental você precisa aniquilar sua mente? Claro que não!

Simplesmente significa que você precisa estar no comando dela. Sua mente carrega uma enorme reserva de memórias e a incrível possibilidade da imaginação que são resultados do processo evolutivo de milhares de anos.

Se você pode utilizá-la da maneira que deseja e colocar de lado o que não deseja, a mente pode ser uma ferramenta fantástica! Querer apagar o passado e negligenciar o futuro seria banalizar essa enorme faculdade que possuímos.

 

A saída está dentro!

Tudo o que você fez na vida até agora tem sido em busca de uma única experiência. Independente de ter sido focado em carreira profissional ou constituindo uma família, foi sempre com um único propósito: a felicidade.

Mas de alguma maneira ao longo do caminho, isso se complicou!

Se você tivesse nascido como qualquer outra criatura deste planeta, isso teria sido simples. Suas necessidades seriam apenas físicas; estômago cheio e seu dia seria ótimo!

Mas como você veio ao mundo na forma humana, as coisas são um pouco diferentes…estômago vazio e você tem um problema; estômago cheio e você tem centenas de problemas!

Atualmente somos a geração com maior saciedade de nossas necessidades de auto sobrevivência e com maior conforto e facilidades. Podemos ir ao supermercado e comprar alimentos para estocar por muito tempo. Imagine essa possibilidade para os homens das cavernas!

Mas infelizmente não podemos dizer que somos a geração mais feliz, mais amável ou pacífica.

Por que?

Porque nos dedicamos ao máximo para “consertar” o mundo externo. Grande ilusão!

O Yoga nos mostra que, ao vivenciar o bem- estar internamente, é natural que o seu entorno, as pessoas que possam vir a conviver com você, sintam esse bem-estar igualmente.

Nenhuma filosofia ou escritura precisa te ensinar a ser uma pessoa boa para os outros; é uma expressão natural quando você está se sentindo bem. É simples assim!

Você estando feliz é uma garantia que seu entorno também assim esteja, a sociedade, as nações e consequentemente o mundo!

Política e Yoga

Vivo o Yoga há cerca de 20 anos e acompanho a polêmica sazonal, em que instituições e órgãos querem se “apropriar” do Yoga e seus conhecimentos.

Se não me engano, em 2002, quando eu já era professora de yoga e cursava a faculdade de educação física, ouve uma comoção de professores de yoga, para não aceitar que o Conselho Reginal de Educação física (CREF) inserisse o Yoga como parte de seu conteúdo acadêmico, exigindo assim que professores de yoga fossem formados como educadores físicos.

Ufa! Nos livramos dessa!Digo isso, pois me formei nos dois segmentos e sei o quão distante uma formação está da outra.A parte física do Yoga é apenas uma das 8 que constituem o Yoga verdadeiro.

Bom, agora está em votação no senado brasileiro o projeto de lei que regulamenta o exercício da profissão de terapeuta naturista, propondo regulamentar a profissão de modalidades como: medicina oriental, terapia ayurvédica, outras terapias naturais, terapias psicanalíticas e psicopedagógica, yoga, cromoterapia, etc.

Como tudo na vida, prezo pelo equilíbrio e assim, analiso os prós e contras dessa situação.

Se em nosso país as instituições educacionais fossem mais sérias, ilibadas e com profissionais capacitados, acredito que a idéia proposta pelo senador Telmário Mota seria bem vinda. Isso se estenderia a ter fiscalização adequada para acompanhar a atuação dos órgãos responsáveis  e fiscalização competente (não subornáveis) para assim averiguar os estabelecimentos e profissionais atuantes.E não apenas sucumbir ao interesse maior financeiro, como arrecadação de impostos, anuidades para afiliações e mensalidades universitárias.

Como sabemos que com profissões como a própria medicina, isso não ocorre corretamente, pois péssimos profissionais, mesmo munidos de diploma de médico atuam clandestinamente em locais inadequados e colocam em risco muitas vidas, o que será então da regulamentação e  fiscalização de profissionais  “naturalistas”?

Diante desse quadro, acredito que o Yoga não deve ser ensinado dentro de universidades e faculdades brasileiras, ao menos não nesta época em que escrevo estas palavras.

Alunos interessados em se beneficiar dessa milenar tradição do Yoga, devem se valer do acesso à informação.Consultar sobre o estúdio e profissionais com o qual deseja praticar.Verificar qual sua formação, metodologia e abordagem dentro do yoga e terapias relacionadas.

Atualmente estamos vivenciando um “boom” de professores e estúdios de yoga que surgiram através do modismo, interesses egoístas e sem embasamento tanto de formação quanto de prática pessoal para então passar a ser um professor, aquele que realmente nasceu para ensinar o que sabe e gosta de fazer.

Professora Mônica Bergamo

As técnicas respiratórias do yoga são boas, mas sabe por quê?

Prana é a energia vital, é o que traz a força, a vida aos órgãos e às células. É a energia que permeia todo o universo. Ela está em tudo, no ser humano, na natureza, em todo o espaço. Quanto mais dela no corpo, mais longevidade se logra.

Os pranayamas são as técnicas respiratórias do Yoga para expandir o prana em nosso corpo.

É fato que uma respiração agitada não é nada boa, são nesses momentos que a ansiedade toma conta de tudo. Os pranayamas, auxiliam a controlar e dominar toda essa “potência”, o que pode manter a harmonia entre o corpo e a mente e muito além disso, despertar nosso poder de auto-cura.

Quando feitos corretamente, ensinam a captar o prana, além de purificarem os condutos energéticos (nadís) em que ele flui, o ideal é realizá-los todos os dias.

Existem dezenas de pranayamas diferentes; cada um canalizando o prana para determinadas regiões do corpo e com diversas finalidades.

Em meio ao caos parece quase impossível se concentrar e encontrar um tempinho para se reconectar e realizar os pranayamas, não é mesmo? Mas uma das suas vantagens é que você pode realizá-los em qualquer local, pois não depende de nada além de si mesmo.

Quais são os benefícios que os pranayamas podem trazer?

Inúmeros! Mas vou citar apenas dois…

Diminuição do estresse

Com a correria do dia a dia nos vemos cada vez mais em prazos apertados, com crises de ansiedade e autocobrança em excesso, assim, nossos níveis de estresse ficam lá em cima, gerando problemas para nossa saúde mental e física.

Nesse cenário, os pranayamas são verdadeiros aliados, já que ao aprender a controlar e estender o prana por meio da respiração, você promove um reequilíbrio do organismo e também um alto estado de relaxamento, diminuindo o estresse e seus desdobramentos.

Melhora no sistema linfático

O sistema linfático desempenha um importante papel no nosso organismo. Ele é responsável entre outras coisas por transportar a linfa, fluido rico em células brancas que auxiliam na defesa do nosso corpo. O problema é que muitas vezes, esse sistema não funciona adequadamente e acumula toxinas, trazendo a sensação de inchaço e dificultando o funcionamento do sistema imunológico.

Assim como as posturas do yoga, os pranayamas com seus diversos exercícios, promovem uma movimentação dos órgãos, funcionando com uma bomba para o sistema linfático, drenando-o e impedindo que seu fluxo seja impedido.

Buscar um estilo de vida mais saudável é uma maneira de estar em paz consigo mesmo, se reconectar com seu eu interior e ter uma rotina muito mais equilibrada.

 

Professora Mônica Bergamo

Por que sentamos com as pernas cruzadas para meditar?

Na verdade, mais importante do que cruzar as pernas na meditação, é que a coluna permaneça na posição vertical, ereta, para assim liberar a passagem de energia através da sushumna nadí (principal canal energético que passa ao longo de nossa coluna).

Meditação se faz SEMPRE sentada, relaxamento se faz deitado.

O fato de sentarmos próximos ao chão, nos proporciona aterramento e conexão com a energia telúrica, diferente de quando estamos sentados em uma cadeira (embora seja bom para quem não consegue sentar no solo).

As pernas podem se posicionar de diferentes formas, desde o sukhásana (postura fácil) até padmásana (tradicional posturas yogi) ou vajrásana (sentando-se sobre os calcanhares).

Cada corpo é um! A prática do yoga ásana (posturas) ajudará a ganhar flexibilidade e abertura pélvia para esse fim. O importante é que a postura escolhida para meditação seja confortável e não haja inquietude do corpo e consequente inquietude da mente, impossibilitando assim os estados meditativos.

O uso de zufu, almofada para sentar-se é bem vindo, desde que não seja muito alta.Apenas o suficiente para que os joelhos fiquem na altura dos quadris.

Professora Mônica Bergamo

Já parou para pensar se você realmente vive no presente?

O ser humano possui uma tendência em manter seus pensamentos no passado ou no futuro. Mas ninguém pode realmente viver o ontem ou o amanhã. Esses pensamentos nos trazem frustração, ansiedade, depressão e desesperança.

E assim, as coisas simples da vida, mas de grande importância, passam despercebidas e a impaciência comanda nossos pensamentos.

Para mudar seu comportamento, antes de qualquer coisa, procure vivenciar o seu EU no momento presente! Depois, confira as dicas:

– Somos seres espirituais vivendo uma experiência humana com o objetivo de evoluir.

– Temos como guia fundamental desta entidade, a consciência.

– Nada nesta vida é permanente e todos os seres são diferentes entre si.

Diante disto, é vital para o praticante de yoga, fazer swadhyaia (auto-estudo), conhecer seus potenciais e fraquezas, para então tem um olhar diferente sobre as qualidades e defeitos que você vê nos outro.

Não crie resistência interior e frustração diante dos acontecimentos, pois

tudo tem um motivo para estar acontecendo.Esse entendimento leva o ser ao desapego e à aceitação.

– Desfrutar dos prazeres e das suas conquistas, sem ansiedade ou medo de perdas.

– Manter-se consciente de que temos liberdade de escolha.

– Compreender quem não sou para que a realidade apareça por si mesma.

Vença seus medos e viva o aqui e agora! Use sua força interior e exerça sua liberdade de escolha!

Professora Mônica Bergamo

Compartilhando inspiração…

Para quem não me conhece, sou Mônica Périco Bergamo Santos; comecei a praticar yoga aos 15 anos de idade e dou aula há mais de 15 aqui no  estúdio Equilíbrio Yoga.

Conversando com uma aluna senti vontade de escrever estas palavras…

Ouço muito as pessoas me dizerem: “nossa como você é calma, sua voz enquanto está dando aula passa tranquilidade. Por isso você se tornou professora de Yoga!”

Refletindo sobre isso, vejo que a ordem dos acontecimentos é inversa ao que todos pensam. Não é necessário ser uma pessoa calma, tranquila e fisicamente flexível para ser praticante de Yoga.

Quem pratica sabe bem o que estou falando. Na verdade é a aplicação do Yoga tanto em filosofia quanto em hatha yoga (prática), que nos traz essas características realizadoras de paz, auto-conhecimento e felicidade contínuas.

Na década de 70 quando o Yoga se popularizou aqui no ocidente com o movimento hippie, criou- se esse “rótulo” de que para fazer yoga a pessoa deve ter personalidade passiva, mente tranquila e ver o mundo “colorido”.Grande equívoco!

O Yoga ganha cada vez mais adeptos, pois é para pessoas comuns, como eu e você que também temos pressa, corremos para dar conta de todos os compromissos e demandas da vida, como mães, pais, profissionais, amigos; corremos até mesmo para conseguir finalmente ter um dia de folga!Que loucura, não?

Todos temos nossos anseios, medos, questionamentos em relação a nós mesmos e aos outros.Embora sonhemos com o dia X em que finalmente teremos aquele sonho realizado, entendemos que isso é ilusão da mente.

Enfim, é o Yoga que me possibilita viver nesse mundo de Maya (ilusões) sem me perder nos apelos e desejos vendidos pela mídia e pela sociedade alienada.

Sim, o Yoga me possibilita o ponto de equilíbrio em mim mesma. Diariamente ter a pausa necessária para não me “perder”, ter Viveka (discernimento) .Estar no “olho do furacão” e não ser  levada pela ventania em meio ao aparente caos e correria.

Sigo no mantra do falecido professor Hermógenes: Entrego, confio, aceito e agradeço!

Professora Mônica Bergamo