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O mantra OM

Toda a literatura do Yoga se fundamenta na língua antiga surgida na Índia chamada Sânscrito. Quando vocalizamos essa língua é chamada sânscrito; quando a escrevemos, seu alfabeto é o devanagari.
Sendo assim, podemos vocalizar o mantra OM (AUM) ou grafá-lo ॐ
O que importa no Om não é sua forma, mas seu som que é carregado de significado; explicado pela Māṇḍūkya Upaniṣad, que usa a sílaba para indicar a realidade última, aquilo que é livre de todo o universo de nomes e formas, que é a paz, livre de qualquer coisa que não seja ele mesmo, não-dual.
A sílaba Om indica tudo: os três estados da consciência: sono profundo, sonho e desperto (que incluem o não-manifesto e o universo inteiro de coisas manifestas) e também aquilo que os sustenta e que deles é distinto.
Entender o Om através do intelecto é inútil, sugiro que aplique esse mantra em sua rotina de meditação e sinta por si só os efeitos!

Desapego, o exemplo das abelhas.

O maior exemplo de desapego vem das abelhas. Após construírem a colmeia, abandonam-na e não a deixam morta, em ruína, mas viva e repleta de alimentos. Todo o mel que fabricaram além do que necessitavam, é deixado sem preocupação com o destino que terá.

Batem asas para a próxima morada sem olhar para trás. Na vida das abelhas temos uma grande lição. Em geral, o homem constrói para si.Pensa no valor da propriedade, tem ambição em conseguir mais bens; sofre e briga quando na iminência de perder o que “lutou” para conseguir. “Onde estiver nosso coração, ali estarão nossos tesouros…” Assim não pode haver paz quando pensamentos e sentimentos prendem o ser ao que ele julga sua propriedade. Essa teia não o deixa alçar voo para novas moradas. E tal impedimento ocorre em vida ou mesmo após a morte, como um simples pensamento como, “para quem vai ficar a minha casa? ” é capaz de retê-lo em uma etapa que já podia estar superada.

Mas as abelhas fabricam o próprio alimento sem nada destruir e ainda doam a maior parte dele . A lição das abelhas vem do seu espírito de doação. Num ato incomum de desapego, abandonam tudo o que levaram a vida para construir. Simplesmente o soltam, sem preocupação se vai para um ou para outro. Deixam o melhor que têm, seja para quem for- o que é muito diferente de doar o que não tem valor ou de dirigir a doação para alguém de nossa preferência.

Se quisermos ser livres, se quisermos parar de sofrer pelo que temos e pelo que não temos, devemos abrigar em nós um único desejo: o de nos transformar.

O exercício é ter sempre em mente que nada nem ninguém nos pertence, e que devemos soltá-los.Assim, quando alguém ou algo tem de sair de nossa vida, não alimentamos a ilusão da perda, e sim visão mais ampla. O sofrimento vem quando nos fixamos a algo ou alguém. O apego embaça o que deveria estar claro: por trás de uma pretensa perda está o ensinamento de que há algo maior para nosso crescimento.E se não abrirmos mão do velho, como pode ter espaço para o novo?